Invadindo Marte
27 - Maio - 2008
Quem anda a invadir quem?

Imagem publicada pela NASA como Domínio Público
Este fim-de-semana aterrou, com sucesso, mais uma sonda em Marte: a Phoenix (em português Fénix, a ave que ressuscita das próprias cinzas). A sonda foi lançada sobre uma zona ainda não explorada deste planeta, o árctico marciano! Imagens como a que acima publicamos são as primeiras daquela área do planeta vermelho e, escusado será dizer, estão a deixar os cientistas muito entusiasmados. Mas esta é apenas uma das muitas viagens que já fizemos a Marte.
Neste momento existem três satélites em órbita de Marte e três robots na sua superfície, cada um com a sua especificidade. Ao longa da história, dezenas de aparelhos foram enviados para estudar este planeta. Vejamos alguns deles:
Missões Actuais
Mars Express: satélite com a função de procurar água no sub-solo marciano.
Mars Odissey: satélite com a função de mapear a morfologia e minerologia de Marte.
Mars Reconnaissance Orbiter: satélite que tenta descobrir se já existiram grandes massas de água em Marte.
Mars Rovers Spirit e Opportunity: dois robots que aterraram em Marte para explorar e estudar a superfície de Marte, assim como a sua paisagem.
Phoenix: outro robot, desta vez para estudar o árctico marciano.
Algumas Missões Anteriores
Mars Viking I e II (1975): foram as primeiras missões que tocaram em solo marciano e que nos enviaram fotografias a cores da superfície do planeta.
Mars Global Surveyor (1996): um dos primeiros aparelhos a orbitar o planeta vermelho, estudando-o com muito detalhe.
Mars Pathfinder (1997): este foi o primeiro aparelho móvel e robotizado a aterrar em Marte.
O que é irónico numa lista como esta, é que sempre foi a humanidade a temer uma invasão marciana. Mas, bem vistas as coisas, quem é que está a invadir o quê?
Links:
Um Telescópio Em Nossa Casa
19 - Maio - 2008
Vamos observar Alpha Centauri? Ou talvez Sirius?

Imagem publicada pela NASA como Domínio Público
Hoje em dia é muito mais fácil observar os locais mais remotos do Universo, sem que para isso precisemos de adquirir um dispendioso telescópio. Há cada vez mais programas de software que nos permitem observar, com muito detalhe, os pedacinhos que quisermos do nosso céu. Neste artigo vamos dar-vos a conhecer quatro das mais interessantes soluções para observar o Universo com o nosso computador.
:: Google Earth/Sky View
A Google já tinha lançado o Google Earth, um programa que nos permite observar o nosso planeta como se estivéssemos num satélite, quando decidiu melhorá-lo introduzindo a opção Sky View. Esta opção permite-nos observar o céu como se possuíssemos um telescópio. As imagens vizualisadas são da NASA e, escusado será dizer, têm excelente qualidade; podemos até aplicar filtros de infravermelho e microondas! Com esta ferramenta é-nos possível observar, com grande detalhe, galáxias, nebulosas e todos os planetas do nossos Sistema Solar. Este programa tem duas grandes vantagens: a primeira é a simplicidade de utilização; a segunda é o facto de podermos utilizá-lo de dois modos: instalando o software no nosso computador ou simplesmente visitando o site na Internet. Recomenda-se vivamente a primeira opção, mas a segunda opção é muito boa quando estamos num computador onde não podemos instalar programas.
:: WorldWide Telescope
O WorldWide Telescope é o mais recente programa do género e é desenvolvido pela Microsoft. É semelhante ao Google Earth/Sky View – podemos observar o céu como com um telescópio -, mas tem muitas opções avançadas. Em primeiro lugar o WorldWide Telescope utiliza imagens de vários telescópios em vários pontos do mundo e permite-nos escolher qual o telescópio que vamos utilizar. Podemos até, recorrendo a ferramentas adicionais, observar o céu em tempo real, através de ligações directas a telescópios escolhidos para o efeito. Uma das opções mais interessantes deste programa é a de nos levar por visitas guiadas com narração. A maior parte das visitas são em Inglês, mas o programa permite-nos criar e narrar as nossas próprias visitas, que ficam depois disponíveis a todos os que as quiserem utilizar. Tal como o Google Earth, este programa vive muito de uma actividade comunitária, em que as pessoas trabalham em conjunto para criarem excelentes bibliotecas de imagens, visitas guiadas, informação detalhada de objectos celestes, etc. É um programa fascinante, muito completo e actualizado a um ritmo constante, mas só está disponível para Windows. Nos dias que correm, em que cada vez mais pessoas utilizam sistemas operativos diferentes, esta é uma grande lacuna. Todos os outros programas desta lista estão disponíveis para todos os sistemas operativos (Windows, MacOS e Linux).
:: Celestia
Celestia é um software de código-aberto que permite observar e modelar em 3D muitos pontos do nosso Universo. Ao contrário dos anteriores, o Celestia não depende de fotografias bidimensionais tiradas por outros telescópios, mas sim de simulação tridimensional, o que nos permite viajar para outros pontos do Universo e observar tudo a partir daí. Por exemplo, podemos viajar para outra estrela e tentar, a partir dessa estrela, observar o nosso próprio sistema solar. Podemos também programar viagens virtuais pelo nosso sistema solar. Imaginam-se dentro de uma nave espacial a viajar até Júpiter? Pois com o Celestia podem fazê-lo e até gravar a vossa viagem e divulgar o vídeo pelos vossos colegas. É um programa fascinante, mas exige um bom computador para se tirar todo o partido das suas funcionalidades.
:: Stellarium
Stellarium é outro planetário virtual, tal como o Google Earth/Sky View e o WorldWide Telescope. No entanto, esta é mais uma ferramenta de estudo que de entretenimento; visualmente menos apelativa, mas cientificamente mais correcta e precisa. É um programa para quem quer estudar o Universo (as órbitas dos planetas, o brilho das estrelas, etc) e menos para quem quer, apenas, maravilhar-se com imagens de objectos celestes. Tal como o Celestia, o Stellarium não utiliza imagens reais de telescópios. Recorre a um motor 3D para desenhar os objectos observados; mas ao contrário do Celestia, no Stellarium não podemos abandonar a Terra. Uma das grandes funcionalidades deste programa é a possibilidade de o ligar a um projector especial para recriar um planetário em qualquer lugar, ideal para escolas que não podem comprar os sistemas caríssimos que habitualmente são utilizados nestas situações.
:: Qual se recomenda?
Todos!
Para já, podem visitar imediatamente o Google Sky, uma vez que não exige que se instale nada. Depois, com mais paciência, instalem os quatro programas. O Google Earth/Sky View e o WorldWide Telescope são muito semelhantes e oferecem-vos imagens lindíssimas do cosmos; o Celestia permite-vos viajar pelo Universo como numa nave espacial; o Stellarium permite-vos estudar o movimento e evolução de vários corpos celestes. O melhor mesmo é instalar e explorar os quatro. São ferramentas formidáveis, tanto em casa como na sala de aula.
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O Princípio da Igualdade
15 - Maio - 2008
É com muito gosto que escrevemos este post – e não vos será difícil compreender porquê, quando o lerem:
“Os nossos alunos ficaram todos vaidosos com a fotografia que colocaram no vosso blogue. Só que os colegas da outra turma, 12ºB que também participaram ficaram um bocadinho ‘tristes’ por não estar também uma fotografia da actividade desenvolvida com essa turma .”
Professora da Escola Secundária/3 António Nobre
Não queremos alunos tristes e fazemos questão de ter fotos vossas neste nosso cantinho, pelo que aqui fica já mais uma:

Aproveitamos para voltar a agradecer o vosso interesse e entusiasmo. Dá uma dimensão extra de satisfação ao que fazemos por cá. Até breve!
Momentos LA
12 - Maio - 2008

Foto gentilmente cedida pelos alunos da Esc. Sec. António Nobre
Na imagem anterior, podemos ver alunos do 12º ano aprenderem a manusear micropipetas para poderem detectar a presença de genes transgénicos em alimentos variados. Para além de um conjunto interessante de fotos, os alunos também nos presentearam com algumas palavras simpáticas:
“Mais uma vez parabéns por todo o trabalho e dinâmica desenvolvida. Foi um prazer que esperámos poder repetir para o ano mais e mais vezes. Aproveitamos esta oportunidade para vos solicitar a continuação deste tipo de projectos os quais são uma mais valia para o enriquecimento científico dos jovens que são o futuro desta sociedade.”
Ora essa: nós é que agradecemos
Lagartagis na Internet
09 - Maio - 2008
Borboletas em directo!
Imagem retirada do site da Lagartagis
Existe, na internet, um espaço dedicado ao ciclo de vida das borboletas: o Lagartagis. O que é o Lagartaguis? Pelas palavras dos próprios:
“O Lagartagis é a primeira estufa de criação de borboletas comuns da fauna da Península Ibérica aberta ao público no Jardim Botânico do Museu Nacional de História Natural.
É um jardim com plantas mediterrânicas e habitado por várias espécies de borboletas, que podem ser observadas nas diversas fases do seu ciclo de vida: ovo, lagarta, crisálida e adulto.”
O que não dizem nesta apresentação é que podemos, com uma ligação à internet, observar tudo isto no próprio site da Lagartagis, através de fotos, vídeos e até observar uma das estufas em directo através de webcam!
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Uma Língua sem Mapa
07 - Maio - 2008
Não limitem a degustação de um bom gelado de chocolate à ponta da língua: isso é seguir um mapa com indicações duvidosas!

Imagem de Brian Talbot, disponibilizada com uma licença Creative Commons
Hoje foi-nos perguntado o que achávamos da realização de uma actividade para os mais novos relacionada com o famoso mapa da língua. Qual mapa da língua, pergunta o leitor? Aquele que nos tem vindo a ser ensinado há muitos anos, recorrente em manuais escolares e outra literatura de índole científico-pedagógica. Também aqui no Laboratório Aberto tínhamos já caído no erro de planear essa actividade, mas tal nunca foi avante porque… o mapa da língua é um mito!
:: A Alegada Organização da Língua
O célebre mapa atesta que percepcionamos diferentes sabores em diferentes zonas da nossa língua. Assim, na ponta, seríamos capazes de identificar o doce; nas zonas laterais exteriores, o salgado; nas laterais interiores, o ácido; no fundo da língua, o amargo. Esta organização fez até com que vários fabricantes de copos de vinho para enólogos desenhassem os seus copos de forma a garantir que a bebida tome uma trajectória que tire proveito da fantástica organização deste músculo. Mas será mesmo assim?
:: A Importância de Experimentar
Deparei-me com este assunto pela primeira vez quando, juntamente com uma colega que esteve já no Laboratório Aberto, se decidiu realizar esta actividade com turmas do primeiro ciclo. Apercebi-me, nesse dia, que eu nunca havia testado o alegado mapa. Ora, é uma regra sobejamente conhecida a de nunca realizar uma actividade sem a ter experimentado antes, pelo que, no dia seguinte, estava já rodeado de água com açúcar, água com sal, café e uma caixa de cotonetes. Comecei pelo café: mergulhei a cotonete no copo de plástico e toquei-lhe com a ponta da língua. Estranho: apesar da ponta da língua ser a zona do doce, foi imediata a percepção do azedo do café. Achei que era um efeito psicológico e pedi a colegas para me darem a provar a cotonete humedecida de um copo escolhido por eles, sem que me dissessem qual. Resultado: fui capaz de sentir qualquer um dos sabores em qualquer parte da língua. Achei que alguma coisa estava errada e decidi ir pesquisar um pouco mais sobre o assunto.
:: A Origem de um Mito
Depois de uma simples busca no Google com as palavras tongue map (ínglês para mapa da língua), eis que surgem dezenas de páginas sobre o facto de este não ser mais que um mito, com origem numa má interpretação dos resultados de uma experiência. Em 1901, um investigador alemão chamado D.P. Hanig decidiu testar a sensibilidade relativa da língua aos quatro gostos conhecidos (hoje sabe-se até que são cinco!). Ele não trabalhou com nenhum mecanismo para controlar a subjectividade dos voluntários nem utilizou qualquer grupo de controlo, mas foi capaz de concluir que a sensibilidade da língua não era homogénea e que, por exemplo, o máximo de sensibilidade para o doce estava na ponta. Mais tarde, em 1942, um psicólogo chamado Edwin Boring decidiu usar esses mesmos dados para trabalhar numa variação quantitativa da sensibilidade e esboçar um diagrama. Esse diagrama foi mal interpretado e confundiram-se as zonas de baixa sensibilidade relativa com zonas sem sensibilidade: nasce assim o mapa da língua!
:: O Que Sabemos Hoje?
Em 1974 os resultados de Hanig foram examinados novamente por uma investigadora de nome Virginia Collings, que acabou por realizar ela própria outras experiências para completar os dados. O que constatou ela: há, de facto, variações na sensibilidade relativa da nossa língua, mas as diferenças são tão pequenas que acabam por ser insignificantes! Todos os gostos podem ser detectados por qualquer zona da língua que possua papilas gustativas, e a sensação de sabor funciona por mecanismos tão complexos que é irrelevante tomar em consideração estas pequenas flutuações. Mesmo quando achamos que somos capazes de detectar essas diferenças, tal deve-se mais à sugestividade do nosso cérebro que à sensibilidade da nossa língua.
No entanto, 1974 já foi tarde de mais. O mapa da língua já se tinha difundido de tal modo que se tornou complicado destruir o mito. Dos manuais escolares aos livros de divulgação, dos museus de ciência às actividades promovidas por instituições e escolas, o mito do mapa da língua crescia e apoderava-se do nosso imaginário colectivo.
O paladar é um sentido muito interessante e complexo! Fica desde já agendado voltar a abordar este assunto com mais detalhe!
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Ensinar a Caçar
02 - Maio - 2008
Primeiro com um “brinquedo”, mas depois a sério!
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Os suricatas são aqueles animais curiosos que habitam algumas planícies africanas, muito famosos pela posição hirta com que vigiam o grupo, de patas dianteiras estendidas e o afiado focinho muito atento a predadores. São socialmente muito activos: juntam-se em comunidades e vivem em complexos sistemas de túneis que escavam no solo. Para além disto, ao que apurou uma equipa da Universidade de Cambridge, os suricatas são professores activos dos elementos mais jovens do grupo!
Os suricatas são insectívoros, mas também se alimentam de pequenos répteis e algumas aves pequenas. Apesar de viverem em comunidades numerosas, são caçadores solitários e os elementos mais jovens não podem acompanhar os adultos nas caçadas. Então como aprendem? Alex Thorton descobriu que os suricatas fazem algo extraordinário: ensinam os filhos a caçar.
O comportamento é muito curioso. O adulto encontra um escorpião, mata-o e, depois, apresenta-o à cria para que esta aprenda a reconhecer e a lidar com o artrópode; uma espécie de brinquedo didáctico! À medida que as crias crescem e ficam mais experientes, os adultos vão substituindo escorpiões mortos por vivos, para que os filhotes os possam perseguir, caçar e matar. Vejam o vídeo:
E este comportamento é extraordinário porquê?
“Não é possível ensinar sem estarmos conscientes da ignorância daqueles que ensinamos”, afirma Thorton, “e os suricatas não deverão possuir o quadro teórico mental necessário à tarefa”.
Então como se justifica este comportamento?
“O adulto limita-se a responder de modo diferente a diferentes vocalizações do pequenote, ou seja, não é inteligência, mas instinto”.
E, aparentemente, um instinto importantíssimo para a sobrevivência e expansão do grupo.
De qualquer modo, o ímpeto para ensinar/aprender nestes animais tem apenas um objectivo: encontrar comida. Esta limitação à motivação do ensino/aprendizagem já não se verifica nos humanos: queremos aprender por vários motivos e não apenas por uma questão de sobrevivência de grupo.
Muitas vezes também não queremos aprender, seja lá o que for e por que motivo for, mas isso é outra história!
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